Fiel às suas raízes catalãs - como Dalí, Casals e Miró -, ele criou uma forma particularíssima de trabalhar com matérias-primas que desafia tudo aquilo que anteriormente tinha sido considerado como regra da arte de cozinhar e comer.
Alcançou sucesso invejável, inigualável!
Por que, então, o El Bulli, na remota praia de Cala Montjoi, ao norte de Barcelona, estaria fechando no auge da fama de seu chef, Ferran Adrià?
Segundo o The New York Times, o El Bulli dá o maior prejuízo: meio milhão de Euros/ano!
Débâcle?
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Folheei ontem, emocionadíssimo, na casa que foi de Guita e José Mindlin, os originais revisados pelo autor de "Grande Sertão: Veredas" - José Olympio enlouquecia com as sucessivas e exaustivas correções exigidas por Guimarães Rosa, chegando ao ponto
de impor-lhe limites severos.
Vi, ainda, a última prova de prelo de "Vidas Seccas", de Graciliano Ramos, com um risco de caneta sobre o título original trocado na última hora - o livro chamar-se-ia "O mundo coberto de pennas".
Sai de lá perdido em mim mesmo, caminhando, sem rumo, pelas ruas do Brooklin.
de impor-lhe limites severos.
Vi, ainda, a última prova de prelo de "Vidas Seccas", de Graciliano Ramos, com um risco de caneta sobre o título original trocado na última hora - o livro chamar-se-ia "O mundo coberto de pennas".
Sai de lá perdido em mim mesmo, caminhando, sem rumo, pelas ruas do Brooklin.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
A Feira de Água de Meninos se originou de uma antiga feira móvel que se formava na altura do sétimo armazém das Docas da Bahia, em Salvador.
Era chamada Feira do Sete.
Fixou-se ali.
Os poderes constituídos não tiveram força para removê-la.
Isto teria ocorrido na década de 1930.
Os saveiros do Recôncavo e das Ilhas que abasteciam Salvador pelos lados de Itapagipe – Porto da Lenha – agora podiam chegar tranquilamente mais próximos da “cidade”.
A Feira de Água de Meninos cresceu sem nenhum ordenamento, sem mais nem menos.
As barracas foram sendo montados de forma aleatória.
Como não havia nenhuma estrutura, as necessidades físicas eram feitas ali mesmo.
Dizia-se “fede, mas serve”.
Há registros que, em 1959, houve um acordo entre as Docas, Prefeitura, Sindicato dos Feirantes e Capitania dos Portos para uma possível transferência da feira para outro local, provavelmente nas proximidades da Enseada de São Joaquim.
O acordo não teve sucesso.
Apesar de São Joaquim reunir boas condições, mudança é mudança.
Para que mudar, Deus do Céu?
Em 1960, novo ataque dos poderes constituídos, ficando, então, definitivamente proibida a construção de novas barracas.
Anos depois, 5 de setembro de 1964, noite estrelada, Lua Cheia, um sábado.
Movimento encerrado, a Feira de Água de Meninos, deixou-se consumir por grandes línguas de fogo.
As labaredas alcançavam a altura da Igreja de Santo Antônio além do Carmo, no alto da colina. De todos os cantos da cidade, da própria Ilha de Itaparica, o incêndio era visto.
Visitei-a, rapazola, quando ia de navio cargueiro do Rio de Janeiro para o Mediterrâneo.
Fedia, é verdade.
Muito.
Mas era linda.
Imunda, mas imensamente linda.
Era chamada Feira do Sete.
Fixou-se ali.
Os poderes constituídos não tiveram força para removê-la.
Isto teria ocorrido na década de 1930.
Os saveiros do Recôncavo e das Ilhas que abasteciam Salvador pelos lados de Itapagipe – Porto da Lenha – agora podiam chegar tranquilamente mais próximos da “cidade”.
A Feira de Água de Meninos cresceu sem nenhum ordenamento, sem mais nem menos.
As barracas foram sendo montados de forma aleatória.
Como não havia nenhuma estrutura, as necessidades físicas eram feitas ali mesmo.
Dizia-se “fede, mas serve”.
Há registros que, em 1959, houve um acordo entre as Docas, Prefeitura, Sindicato dos Feirantes e Capitania dos Portos para uma possível transferência da feira para outro local, provavelmente nas proximidades da Enseada de São Joaquim.
O acordo não teve sucesso.
Apesar de São Joaquim reunir boas condições, mudança é mudança.
Para que mudar, Deus do Céu?
Em 1960, novo ataque dos poderes constituídos, ficando, então, definitivamente proibida a construção de novas barracas.
Anos depois, 5 de setembro de 1964, noite estrelada, Lua Cheia, um sábado.
Movimento encerrado, a Feira de Água de Meninos, deixou-se consumir por grandes línguas de fogo.
As labaredas alcançavam a altura da Igreja de Santo Antônio além do Carmo, no alto da colina. De todos os cantos da cidade, da própria Ilha de Itaparica, o incêndio era visto.
Visitei-a, rapazola, quando ia de navio cargueiro do Rio de Janeiro para o Mediterrâneo.
Fedia, é verdade.
Muito.
Mas era linda.
Imunda, mas imensamente linda.
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