Ah, zuimã!
(ariti/pareci)
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Desceu a escadaria, impaciente.
O interessado em alugar a propriedade vinha logo atrás e aquilo o incomodava.
Notou, ali, um movimento qualquer.
E viu, de relance, no fundo do paiol em desarrumação, o corpo de um animal ao lado de fardos de ração, caixotes, bornais, enxós, jacás, rodas de cabreúva.
Um tordilho caído, inerte.
Havia, também - aumentando-lhe a irritação -, um homem e animais menores inteiramente enlameados.
- O que você faz aqui?
- Durmo, só.
- Como?
- Venho tarde. E durmo.
- E quem deixou?
- Não é caso de briga, não senhor...
- Quem?
- A moça.
Expulsou-o.
- Não tenho onde dormir com esse tempo danado.
- E eu com isso?
- Vou ter que trabalhar, moço. Sou canoeiro e rezador. E quero não trabalho certinho. Já passei por Serraria, Boa Fé, Laranjeiras, Santa Bárbara, Serra Vermelha, Conceição, Pitanga e me deixaram.
Ela tentou convencê-lo. Qual o problema, afinal? Ninguém mais aparecia por ali. E o homem, coitado, não fazia mal algum. Escrevia coisas, receitava, curava.
Voltou um dia, avisaram.
Na porta da varanda, notou que ela estava de cabelos soltos.
- Você me desculpou?
Deu-lhe as costas.
Trancou-se. Acompanhou-a, pela janela da sala, até cruzar a porteira.
Perguntou para o caseiro, tempos depois, aparentando desinteresse, se ela tinha voltado.
- Todos os dias, tardinha. Deita-se lá, onde dormia o homem, tempo curto, um tanto só, e pede, contrita, para tirar a simpatia do senhor.
O interessado em alugar a propriedade vinha logo atrás e aquilo o incomodava.
Notou, ali, um movimento qualquer.
E viu, de relance, no fundo do paiol em desarrumação, o corpo de um animal ao lado de fardos de ração, caixotes, bornais, enxós, jacás, rodas de cabreúva.
Um tordilho caído, inerte.
Havia, também - aumentando-lhe a irritação -, um homem e animais menores inteiramente enlameados.
- O que você faz aqui?
- Durmo, só.
- Como?
- Venho tarde. E durmo.
- E quem deixou?
- Não é caso de briga, não senhor...
- Quem?
- A moça.
Expulsou-o.
- Não tenho onde dormir com esse tempo danado.
- E eu com isso?
- Vou ter que trabalhar, moço. Sou canoeiro e rezador. E quero não trabalho certinho. Já passei por Serraria, Boa Fé, Laranjeiras, Santa Bárbara, Serra Vermelha, Conceição, Pitanga e me deixaram.
Ela tentou convencê-lo. Qual o problema, afinal? Ninguém mais aparecia por ali. E o homem, coitado, não fazia mal algum. Escrevia coisas, receitava, curava.
Voltou um dia, avisaram.
Na porta da varanda, notou que ela estava de cabelos soltos.
- Você me desculpou?
Deu-lhe as costas.
Trancou-se. Acompanhou-a, pela janela da sala, até cruzar a porteira.
Perguntou para o caseiro, tempos depois, aparentando desinteresse, se ela tinha voltado.
- Todos os dias, tardinha. Deita-se lá, onde dormia o homem, tempo curto, um tanto só, e pede, contrita, para tirar a simpatia do senhor.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
“Matisse: The Life”, de Hilary Spurling, será lançado no segundo semestre pela Cosac Naify.
Publicada originalmente em dois volumes, em 1998 e 2005, reunidos na edição que sairá no País, a obra resultou de 15 anos de pesquisas e rendeu à autora o Prêmio Whitbread.
Henri-Émile-Benoît Matisse nasceu em Le Cateau, Picardia, em 31 de dezembro de 1869. Mudou-se para Paris em 1891 e estudou na École des Arts Décoratifs e no ateliê de Gustave Moreau.
Dos pintores fauvistas, que exploraram as cores fortes, Matisse foi o único a evoluir para o equilíbrio entre a cor e o traço em composições planas, sem profundidade.
Liberto do fauvismo, já maduro, o pintor revelou tendência a reduzir as linhas à essência, sem, contudo, se fixar na abstração.
Obra a ser lida e relida, vezes e vezes.
Publicada originalmente em dois volumes, em 1998 e 2005, reunidos na edição que sairá no País, a obra resultou de 15 anos de pesquisas e rendeu à autora o Prêmio Whitbread.
Henri-Émile-Benoît Matisse nasceu em Le Cateau, Picardia, em 31 de dezembro de 1869. Mudou-se para Paris em 1891 e estudou na École des Arts Décoratifs e no ateliê de Gustave Moreau.
Dos pintores fauvistas, que exploraram as cores fortes, Matisse foi o único a evoluir para o equilíbrio entre a cor e o traço em composições planas, sem profundidade.
Liberto do fauvismo, já maduro, o pintor revelou tendência a reduzir as linhas à essência, sem, contudo, se fixar na abstração.
Obra a ser lida e relida, vezes e vezes.
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