terça-feira, 10 de maio de 2011

"Todo morro entendeu quando o Zelão chorou
Ninguém riu, ninguém brincou, e era Carnaval
No fogo de um barracão
Só se cozinha ilusão
Restos que a feira deixou
E ainda é pouco só
Mas assim mesmo o Zelão
Dizia sempre a sorrir
Que um pobre ajuda outro pobre até melhorar
Choveu, choveu
A chuva jogou seu barraco no chão
Nem foi possível salvar violão
Que acompanhou morro abaixo a canção
Das coisas todas que a chuva levou
Pedaços tristes do seu coração".
Zelão, Sérgio Ricardo.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Chovia.
Levantou-se e caminhou em direção ao banheiro, atravessando o foyer do teatro.
Ela percebeu, então, vendo-o de costas, o quanto ele havia envelhecido.
Demorou-se.
Urinou, lavou as mãos.
E ficou por ali, minutos.
Olhou-se no espelho.
Não queria voltar.
"Estrelas de Couro - A Estética do Cangaço", de Frederico Pernambucano de Mello, Escrituras Editora, é um livro extraordinário, belíssimo!
Fascínio e repulsa, lado a lado.
Presilha, carapuça, carretel, anel, base, enterço, calha; cota, costa ou lombo; gume.
"A coisa mais impressionante de Lampião era a sua faca, segundo disse um fazendeiro de Sergipe que visitou o acampamento quando era menino. Sua figura imponente, sua roupa de cangaceiro, sua pistola e rifle, eram bastante impressionantes, mas nada se comparava àquela faca de 55 cm, com o cabo todo trabalhado, enfiada debaixo de seu cinto".
José Melquíades de Oliveira, Pinhão, Sergipe, 1937, apud Billy Jaynes Chandler.
“É Lampa, é Lampa,
É Lampa, é Virgulino, Lampião

É Lampa, Lampa, é Lampa,
É Lampa, é Lampa, é Lampião,
É o bicho no cangaço,
Interventô lá no sertão (bis)
“Quando Lampião esteve no município de Palmeira dos Índios, onde se demorou alguns dias mandando bilhetes para a cidade e sem poder entrar nela, trazia mais de cem homens que não se escondiam na capoeira nem transitavam em veredas. Corriam pela estrada real, bem montados, espalhafatosos, pimpões, chapéus de couro enfeitados de argolas e moedas, cartucheiras enormes, alpercatas que eram uma complicação de correias, ilhoses e fivelas, rifles em bandoleira, lixados, azeitados, alumiando.”
Graciliano Ramos, Jornal de Alagoas, 27 de maio de 1933

quinta-feira, 5 de maio de 2011

“Cruzada”, de Cinthia Marcelle.
http://vimeo.com/16929948
Lindíssimo!
O duelo, o desafio, o confronto.
A desfiguração, o embate.
A desconstrução.
E a harmonia - multicolorida, mineiríssima e remota -, ao som de "Avante Camarada".
Competentérrimo!